Uma conciliação
histórica e de grande alcance social foi realizada, ontem (03), no Juízo
Auxiliar de Execuções da Justiça do Trabalho de Minas Gerais. Pelo acordo,
assinado entre o América Futebol Clube e o Ministério Público do Trabalho, o
clube deverá criar três pólos de atuação (um em Manhuaçu, um em Montes Claros e
outro em Belo Horizonte), entre janeiro e dezembro de 2009, comprometendo-se a
dar continuidade ao projeto pelos oito anos subseqüentes, com duração total
mínima de nove anos.
Os recursos para criação dos pólos são provenientes de multa por reiterado
descumprimento de obrigações trabalhistas, acrescida de indenização por dano
coletivo, que chegam a R$ 26 milhões, que seriam destinados ao FAT – Fundo de
Amparo ao Trabalhador. Mas conforme proposta conciliatória, formulada pelo Juízo
de Execuções, que tem à frente a juíza do trabalho Érica Aparecida Pires Bessa,
o valor foi convertido em prol da comunidade, a fim de possibilitar inserção
social da população carente a ser beneficiada com formação e capacitação
profissionais, integralmente custeadas pelo executado.
A multa foi imposta ao América Futebol Clube, em decisão da 21ª Vara do Trabalho
de Belo Horizonte, em ação civil pública interposta pelo Ministério Público do
Trabalho em 2004. Na época, o reclamante recorreu da decisão, que foi mantida
pelo TRT-MG. Na audiência desta quarta-feira, o América informou ao Juízo de
Execuções que, a partir de setembro de 2008, os salários e demais parcelas
trabalhistas e os tributos advindos da relação de emprego passaram a ser
quitados no prazo legal.
Acordo
A juíza Érica Aparecida Pires Bessa propôs a conversão da tutela ressarcitória
em tutela específica e, durante cinco audiências, foram acertados os termos do
acordo. O América deverá construir, implementar e custear serviços de estrutura
física, aptos a propiciarem real e efetiva inserção de menores, por meio de
qualificação profissional, com atuação simultânea nos núcleos familiares dos
menores, para formação profissional dos pais ou responsáveis. O executado
deverá, ainda, promover atividades desportivas na área de futebol pelo qual é
reconhecido, atendendo, desta forma, os mesmos objetivos do FAT, destinatário
original da multa. O Clube poderá contar com parceiros e já indicou o
Senac-Minas, que se fez presente à audiência e aderiu aos termos da conciliação.
Contemplados
Serão contemplados pelo projeto jovens carentes e com faixa etária compreendida
entre 14 e 18 anos completos, aos quais serão ministrados, gratuitamente, em
cada um dos pólos, cursos de curta duração de competência básica para o
trabalho, inclusão digital, cursos regulares profissionalizantes. Será
implementada uma turma por trimestre para curso de curta duração, contemplando
de 13 a 30 alunos e, ainda, uma turma por ano para curso de longa duração,
constituída de 20 a 30 alunos, visando a atingir uma média de 450 jovens até
dezembro de 2009, a ser mantida nos anos subseqüentes.
O acordo prevê ainda bolsa para menores participarem de aulas na Escolinha de
Futebol do América, no bairro Horto, em BH. Nos demais municípios previstos no
projeto, o Clube deverá promover jogos previamente agendados e divulgados com
finalidade de selecionar menores para integrarem a sua categoria de base; serão
contemplados os pais ou responsáveis pelas crianças carentes, a fim de atender
ao núcleo familiar e coibir o trabalho proibido do menor de 14 anos,
possibilitando renda para a sobrevivência mediante trabalho digno e qualificado.
O América arcará com todas as despesas, encargos e tributos inerentes aos cursos
oferecidos, inclusive para ampla e prévia divulgação de qualquer curso ou
evento, em cada localidade e entorno. A Justiça do Trabalho e a Procuradoria do
Trabalho da 3ª Região acompanharão a execução do acordo, solicitando o auxílio
das localidades contempladas pelo projeto, que será denominado “América
Esperança”.
Fonte: TST: