16/04/2009 - 10h08
Registro da penhora é requisito para verificar fraude à execução
O registro da penhora no
cartório imobiliário é condição essencial para verificar se houve má-fé na
compra do imóvel penhorado, visto que presume o conhecimento da constrição em
relação a terceiros por meio da publicidade. Essa é a decisão da Primeira
Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao julgar um recurso interposto
pela Fazenda Pública contra um acórdão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso
do Sul (TJMS) que não reconheceu, em fraude à execução, a alienação de imóvel
pertencente ao sócio da empresa executada, ainda que em curso a ação de
registro imobiliário quanto à alienação do bem.
Segundo notas da decisão, em dezembro de 1995, a Fazenda estadual ajuizou ação
de execução fiscal contra uma empresa para restituir créditos do ICMS. Após a
citação, em setembro de 1997, como ainda não haviam sido oferecidos bens para
garantir a execução, a Fazenda pediu o redirecionamento da execução contra os
sócios da empresa, quando, em 19 de dezembro de 2000, foram indicados três
imóveis à penhora, que só foram confirmados por termo em maio de 2003. Os
imóveis foram alienados a terceiros em janeiro de 2001, o que fez a Fazenda
ingressar com um pedido para declarar fraude à execução.
O Juízo de Direito da Vara de Execução Fiscal da Fazenda Pública da Comarca de
Campo Grande negou o pedido, considerando que a transmissão dos imóveis
ocorreu através de compra e venda efetivada, sem que existisse anotação do
redirecionamento, bem como registro da eventual constrição dos bens. A Fazenda
recorreu dessa decisão com o argumento de que os executados alienaram os
imóveis após a inscrição do débito em dívida ativa e após a citação pessoal no
processo executivo fiscal, o que configuraria má-fé. Argumentou ainda que o
regime diferenciado da fraude à execução fiscal não pode ter razões
fundamentadas em dispositivos de ordem privada.
Segundo o entendimento do STJ, não existindo inscrição da distribuição da
execução ou da penhora no registro de imóveis que possa demonstrar a ciência
do adquirente da existência de demanda capaz de reduzir o executado à
insolvência, não se pode presumir que a venda tenha sido efetuada em fraude à
execução.
Para a Fazenda, a lei não afastaria a incidência da fraude em razão da boa-fé
do terceiro adquirente, mas, segundo a Súmula 84 do STJ, é admissível a
oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda de
compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro.
“Grande número de negócios são realizados no país de maneira menos formal”,
assinalou o ministro Athos Carneiro num dos precedentes que deram origem à
súmula, segundo o qual “com freqüência muitos são surpreendidos por um penhora
em execução promovida contra aquele que lhe havia alienado o imóvel”. A
relatoria da decisão é do ministro Luiz Fux.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
Fonte: STJ:
http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=91628