19/03/2009 - 15h46
Advogado Beline Sales continuará respondendo às ações penais
O advogado tributarista Beline
José Sales Ramos continuará respondendo às três ações penais movidas contra
ele em decorrência de uma operação da Polícia Federal realizada em 2006. Por
unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou que
todas as provas resultantes das escutas consideradas ilegais fossem retiradas
dos processos (desentranhamento), mas manteve o andamento das ações penais.
A defesa do advogado requereu a retirada das provas ilícitas dos processos e a
extinção das ações penais, sustentando que elas são nulas porque foram
fundadas em interceptações telefônicas obtidas no âmbito de nova operação
realizada em 2006 e declaradas ilícitas pelo STJ. O julgamento havia sido
interrompido por pedido de vista do ministro Nilson Naves, que, em seu voto,
acompanhou integralmente o entendimento da relatora, desembargadora convocada
Jane Silva.
Segundo a ministra, os autos apontam que as referidas ações penais não foram
instruídas apenas com base nas interceptações telefônicas consideradas
ilícitas, portanto não existe razão para o trancamento dos processos. Para
ela, se não houver outras provas, como alega a defesa, o réu será absolvido.
Em seu voto vista, Nilson Naves ressaltou que analisou minuciosamente o
recurso e não encontrou elementos para o trancamento das ações.
Nas denúncias, o Ministério Público Federal sustentou que as investigações da
segunda operação colecionaram provas e indícios da participação do advogado
nos crimes, mas ainda era necessário aprofundar as buscas para compreender a
organização criminosa especializada em constituir empresas falsas para obter
benefícios fiscais e realizar importações fraudulentas. Por isso, houve
aproveitamento das interceptações telefônicas obtidas na primeira operação nas
investigações da operação de 2006.
Beline Sales responde a processo criminal juntamente com outros acusados, por
sonegação fiscal, formação de quadrilha, crimes contra a fé pública,
contrabando e descaminho, corrupção ativa e falsidade ideológica. Acusado de
envolvimento na operação da Polícia Federal realizada em 2006 (dividida em
três etapas) que investigou fraudes em importações em todo o país, ele também
foi denunciado na primeira operação, escândalo de sonegação que levou à prisão
diretores e funcionários do grupo Schincariol.
A defesa de Beline Sales Ramos já moveu vários pedidos de habeas-corpus para
anular as ações decorrentes da operação de 2006 com o argumento de que elas
são originárias de interceptações telefônicas ilegais, mas todos foram negados
pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, pelo Superior Tribunal de Justiça
e pelo Supremo Tribunal Federal.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
Fonte: STJ:
http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=91341